O Direito Achado na Rua: nossa conquista é do tamanho da nossa luta

sábado, 3 de janeiro de 2026

 

Opinião

A defesa da Venezuela hoje é a defesa do Brasil de amanhã

Não é normal o sequestro de qualquer Chefe de Estado no mundo. O nome disso é Terrorismo de Estado

Caminhão militar destruído pelos ataques dos Estados Unidos na base de La Carlota, em Caracas
Caminhão militar destruído pelos ataques dos Estados Unidos na base de La Carlota, em Caracas
| Crédito: Juan BARRETO / AFP

Os votos de prosperidade de ano novo já cessaram para os latino-americanos em 2026. Uma
intervenção estrangeira brutal e uma violação explícita da soberania acontecem na Venezuela
.
Para qualquer entendedor e analista sério, não se trata de uma batalha democrática ou de
uma ação contra cartéis de drogas, mas de garantir o acesso da maior potência capitalista à
maior reserva de petróleo do mundo. Isso fica nítido nas últimas semanas, quando militares
americanos apreenderam navios petroleiros da Venezuela.

Os Estados Unidos continuam a agir como “gerente” do mundo através de uma política
imperialista, que foi escancarada após o governo Trump e com a naturalização das políticas de extrema-direita no mundo. Não é normal o sequestro de qualquer Chefe de Estado no mundo.
O nome disso é Terrorismo de Estado. Tudo o que se exige na política internacional foi
desrespeitado com este ataque militar, desde a vontade popular até os princípios básicos do
direito internacional, algo que só se mantém na narrativa dos Estados Unidos.

A Venezuela sofre há anos sanções e bloqueios econômicos indignos, e ainda assim luta pela
sobrevivência e pela manutenção da soberania de um projeto popular no continente.
Não resta dúvida de que um ataque direto à Venezuela é um recado e um ataque indireto a
qualquer projeto popular implementado no Brasil e em qualquer país do continente. Cabe não
esquecer o que a extrema-direita, via Eduardo Bolsonaro, clama aos quatro ventos dentro do
próprio Estados Unidos: uma intervenção norte-americana no Brasil.

Isso porque ele sabe que, historicamente, esse é o país responsável por patrocinar golpes de
Estado no mundo, como ocorreu nas ditaduras militares por aqui, além de intervenções
militares e guerras para manter vivo os interesses, não do seu povo, mas das grandes
corporações que alimentam este sistema.

posição do Brasil, da China e da Rússia e os desdobramentos disso, serão um teste
fundamental para qualquer tentativa de construção de multipolaridade no mundo atual.
A incondicional solidariedade à Venezuela e ao governo de Nicolás Maduro é medida básica de qualquer Estado que queira ter respeitada alguma normalidade institucional no próprio país.
Para um leigo, o nome dos Libertadores da América não é por acaso. Trata-se da pátria de
Bolívar e Chávez e quem conhece a história deste povo sabe que esta história não acaba agora, mas está apenas recomeçando.

Já diria Eduardo Galeano: “Cada vez que os Estados Unidos ‘salva’ um povo, o deixa
transformado em um manicômio ou em um cemitério.”


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