Opinião
A defesa da Venezuela hoje é a defesa do Brasil de amanhã
Não é normal o sequestro de qualquer Chefe de Estado no mundo. O nome disso é Terrorismo de Estado
- São Paulo (SP)
- Gladstone Leonel Júnior

Os votos de prosperidade de ano novo já cessaram para os latino-americanos em 2026. Uma
intervenção estrangeira brutal e uma violação explícita da soberania acontecem na Venezuela.
Para qualquer entendedor e analista sério, não se trata de uma batalha democrática ou de
uma ação contra cartéis de drogas, mas de garantir o acesso da maior potência capitalista à
maior reserva de petróleo do mundo. Isso fica nítido nas últimas semanas, quando militares
americanos apreenderam navios petroleiros da Venezuela.
Os Estados Unidos continuam a agir como “gerente” do mundo através de uma política
imperialista, que foi escancarada após o governo Trump e com a naturalização das políticas de extrema-direita no mundo. Não é normal o sequestro de qualquer Chefe de Estado no mundo.
O nome disso é Terrorismo de Estado. Tudo o que se exige na política internacional foi
desrespeitado com este ataque militar, desde a vontade popular até os princípios básicos do
direito internacional, algo que só se mantém na narrativa dos Estados Unidos.
A Venezuela sofre há anos sanções e bloqueios econômicos indignos, e ainda assim luta pela
sobrevivência e pela manutenção da soberania de um projeto popular no continente.
Não resta dúvida de que um ataque direto à Venezuela é um recado e um ataque indireto a
qualquer projeto popular implementado no Brasil e em qualquer país do continente. Cabe não
esquecer o que a extrema-direita, via Eduardo Bolsonaro, clama aos quatro ventos dentro do
próprio Estados Unidos: uma intervenção norte-americana no Brasil.
Isso porque ele sabe que, historicamente, esse é o país responsável por patrocinar golpes de
Estado no mundo, como ocorreu nas ditaduras militares por aqui, além de intervenções
militares e guerras para manter vivo os interesses, não do seu povo, mas das grandes
corporações que alimentam este sistema.
A posição do Brasil, da China e da Rússia e os desdobramentos disso, serão um teste
fundamental para qualquer tentativa de construção de multipolaridade no mundo atual.
A incondicional solidariedade à Venezuela e ao governo de Nicolás Maduro é medida básica de qualquer Estado que queira ter respeitada alguma normalidade institucional no próprio país.
Para um leigo, o nome dos Libertadores da América não é por acaso. Trata-se da pátria de
Bolívar e Chávez e quem conhece a história deste povo sabe que esta história não acaba agora, mas está apenas recomeçando.
Já diria Eduardo Galeano: “Cada vez que os Estados Unidos ‘salva’ um povo, o deixa
transformado em um manicômio ou em um cemitério.”
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